
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
domingo, 4 de outubro de 2009
Eu Pensava Que Esta Raça de Gente Tinha Sido Corrida à Bomba e à Batatada
Hoje, no jornal El Pais, li um artigo preocupante sobre a legitimação e crescimento do fascismo italiano. Sobre a forma como os outros, em razão do seu nascimento, etnia, ideologia ou opção sexual são perseguidos.Toda a minha vida combati todos os tipos de segregação. Se existe coisa que me põe fora de mim é o racismo, o preconceito ou até a forma como os indivíduos são socialmente enxovalhados em razão da sua opção sexual. Por isso não posso aceitar que alguém publique textos de cobardes que glorificam a violência contra outros portugueses – os continentais – que não são “filhos da terra”.
Somos todos portugueses, independentemente do local de nascimento e da cor da pele, e temos os nossos direitos e deveres de cidadania intactos em todas as parcelas deste país. Estou empenhado em viver livremente no meu país e não tolerarei qualquer forma de preconceito pelo facto de ser um continental que escolheu os Açores para viver e morrer, se Deus quiser.
Adoro esta terra e este Povo e sinto-me açoriano. Mais um, entre iguais. Aliás, nunca senti qualquer espécie de discriminação – vivo nos Açores há 14 anos – a não ser agora nesse comentário que problematiza a real eficácia das bombas e da batatada. Neste momento, pondero entre dois valores que me são caros: a liberdade de expressão e o dever de levar à justiça quem glorifica e exalta a violência gratuita contra os outros.
sábado, 3 de outubro de 2009
Carlos César no Governo de José Sócrates
O Presidente do Governo Regional descontrolou-se emocionalmente nos festejos da “vitória” eleitoral do passado dia 27 de Setembro. Aquilo assemelhou-se a uma espécie de dança da chuva, colorida com demonstrações bizarras de virilidade e alvitrantes provas de humilhação para os adversários. Uma coisa realmente pré-histórica, só observável, nos dias de hoje, nas tribos amazónicas privadas de qualquer contacto civilizacional.
Chegam-me informações, segundo as quais “aquilo” foi a forma que o Presidente do Governo Regional encontrou para se despedir da política açoriana. O actual Presidente do Governo estará convidado para integrar o próximo Governo socialista da República - já apelidado, para a história, de “O Breve” - como Ministro dos Assuntos Parlamentares. Depois das eleições autárquicas veremos se este cenário se confirma.
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Condenando as Teorias Xenófobas do Nacional-Socialismo
Desiludiu-me profundamente o seu comentário em que considera que “apesar da dureza do comentário de XXX também acho exagerado ver ali alguma ameaça quer a si quer à sua família”, quando o que este afirmou, no contexto da análise do debate em que participou a Deolinda Estêvão, foi o seguinte: “Eu pensava que esta raça de gente, tinha sido corrida à bomba e à batatada há uns anos.”
Este comentário possui, claramente, uma natureza xenófoba e apela explicitamente à violência. Ao publicar este lixo xenófobo, o senhor torna-se conivente com este tipo de afirmações. Como certamente saberá, quem foi corrido à batatada e à bomba no período pós-revolucionário foram os comunistas ou os simples suspeitos de o serem. Os outros – mesmo os continentais que estavam ligados ao antigo regime – mantiveram-se nas posições que ocupavam.
Não posso é deixar de condenar veementemente os cobardes que a coberto do anonimato glorificam a lei da bomba e da batatada. Na essência, não são diferentes dos militantes e simpatizantes da ETA que defendem e desculpabilizam o tiro na nuca contra os não bascos.
Quanto à análise do debate, nada tenho a dizer. Cada um tira as suas ilações e faz as críticas que bem entender: é assim a democracia.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Para os Fascistas

Não comento, habitualmente, blogues de anónimos. O seu é uma excepção porque considero que, embora não o conheça, já deu provas de que é uma pessoa bem-intencionada e equilibrada na sua intervenção cívica.
No entanto, não posso deixar de condenar a sua atitude de dar guarida a comentários anónimos de carácter xenófobo, que apelam explicitamente à violência, como esta passagem: “Eu pensava que esta raça de gente, tinha sido corrida à bomba e à batatada há uns anos.”
Vivo, há 15 anos, nos Açores. Comecei a exercer funções docentes na Região Autónoma e escolhi viver e educar os meus filhos nos Açores (o mais novo nasceu aqui). Não se trata de oportunismo, trata-se de uma opção de vida. O maior orgulho da minha vida é ser deputado açoriano e pauto a minha conduta pela defesa dos interesses dos Açores e da ilha pela qual fui eleito.
Será que por não ter nascido nos Açores estou diminuído dos meus direitos cívicos? Acha aceitável que se publiquem comentários a ameaçar, por analogia, com batatada a minha mulher ou a generalidade das pessoas que aqui não nasceram? Acha que o Povo Açoriano se revê neste tipo de atitudes? Acha aceitável dar guarida a cobardes que só se atrevem a fazer este tipo de comentários no heroísmo do anonimato?
Não tenho medo de ameaças, nem de perseguições políticas, nem de fascistas que perseguem os outros em razão do seu local de nascimento, da sua etnia, das suas ideias políticas, condição social ou religião. Só peço é que tenham ao menos a dignidade de deixar as ameaças de batatada e bombas só para mim e deixem a minha família em paz. Estou sempre por aí, nos nossos Açores. Sabem onde me encontrar, não ando com guarda-costas e podem ter a certeza que não fujo.
Paulo Estêvão
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Uma Lição de Dignidade
Aos leitores do AO
Fica aqui o texto que o Açoriano Oriental (AO) devia ter publicado na sua edição de hoje e não o fez quebrando um compromisso assumido. É um texto em que me despeço dos leitores do AO na sequência do “saneamento político” a que fui sujeito.
Hasta!
Por ora chega ao fim a minha colaboração semanal com o Açoriano Oriental (AO). Ao longo dos últimos 6 anos partilhei com os leitores aquilo que penso sobre um leque variado de assuntos mas, mais do que difundir opinião pessoal procurei deixar espaço para reflexão e discussão, até porque considero que a realidade observada pode ter várias leituras e, não me cabe mais do que dar a minha própria visão deixando espaço para a opinião de quem foi tendo paciência para ler o “Olhares”.
Iniciei a minha colaboração regular com o AO em Janeiro de 2004. No convite que então me foi endereçado ficou claro que se dirigia ao cidadão e não ao dirigente associativo ou sindical, únicos cargos que à data exercia. Foi nessa qualidade e não noutra que fui convidado e assim fui mantendo este espaço e ganhando gosto pela escrita. O percurso pessoal e político que trilhei ao longo destes quase 6 anos levaram-me à liderança política do PCP e da CDU Açores e a ser eleito como deputado regional. Estes factos em nada alteraram o meu relacionamento com o jornal, aliás fui colaborador de programa da Rádio Açores-TSF, “Conversa a 4”, e publiquei, em co-autoria, um suplemento mensal, no primeiro caso enquanto cidadão e no segundo enquanto dirigente associativo.
A minha passagem como colaborador gracioso da “Açormédia, SA” chega, por ora, ao fim. E chega não por vontade própria mas porque a empresa entendeu que deveria dispensar a minha colaboração. Os motivos que presidiram a esta decisão da “Açormédia” e dos quais fui informado, sendo pragmáticos, não cabem neste espaço por julgar que não é o lugar de o fazer, todavia, no tempo e no modo próprio deles darei conta publicamente.
A escrita tornou-se num prazer, isso fico a dever ao AO, e não vou abandonar este deleite só porque alguém encontrou um motivo espúrio para limitar a difusão dos meus textos, até porque há quem considere que a pluralidade de opinião é salutar, há quem goste do que escrevo e da forma como o faço e, também, claro está, porque sou um incorrigível contumaz.
Aos leitores do AO resta-me dizer-lhes que foi um prazer estar convosco e que, estou certo, regressarei um dia ao vosso convívio “queira ou não queira o papão”.
Hasta siempre!


